a fé que os move

“Filho da puta!”

Ouvindo isto, pensei: “mas… se aqui ao lado estão a rezar…”

Ao meu lado estava o Santuário de Fátima onde há poucas horas tínhamos chegado. O “filho da puta” seria o árbitro ou qualquer outro interveniente do S.L. Benfica-F.C. Porto que paralisou a região, antes da procissão de velas.

O que desta vez me fez pensar: “Estou em Fátima, há futebol, falta o fado.” De regresso ao hotel pelas ruas edificadas por lojas de artigos religioso-turísticos, a voz de uma fadista qualquer famosa ecoava. O que até aquele momento não passava de uma ideia, um slogan, um símbolo dos valores tradicionais da cultura portuguesa passou a ser uma experiência real, palpável. Experimentava os três “F” juntos no mesmo espaço e tempo.

Depois de percorridos 225 quilómetros em peregrinação, a caminhar, desde a Trofa, durante seis dias, tínhamos chegado ao Santuário de Fátima. Éramos um grupo de 54 pessoas: 53 delas, em algum momento da sua vida, decidiram sacrificar-se (pelo menos fisicamente), através da peregrinação, como pagamento de algum pedido feito à Nossa Senhora de Fátima, Mãe de Cristo, Rainha de Portugal; uma dessas pessoas decidiu observar e registar fotograficamente a expressão de um fenómeno cultural da sociedade portuguesa contemporânea, o fenómeno da religiosidade que convive com o cepticismo, o positivismo e o materialismo que definem a actual era da ciência, da tecnologia e do consumismo.

A complexidade da temática pode não caber numa só reportagem, mas para mim foi importante fazê-la (ou não me chamasse Cecília de Fátima, nascida a dia 13 e filha de um padre).

 

 

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