a normal day with Li family

Viajávamos de moto já há mais de uma semana pelas montanhas do norte vietnamita, na província de Ha Giang (que se lê Á Zang). Depois de almoçar no sítio mais putrefacto que encontramos até aí fizemos meia dúzia de quilómetros pelas magníficas estradas de terra, pedra e pedregulhos, lama e buracos, características daquela zona, até que nos deparámos com uma rapariga da etnia Hmong (também conhecida por Flower Hmong) a bordar envolvida por um espectacular cenário de nevoeiro. Saímos a correr para fotografar e descobrimos a amiga lá no meio do mato do precipício (acho que foi quando me apercebi da utilidade das suas roupas coloridas, a visibilidade).

Sem querer reparei que o farol da moto estava acesso. Está bem, teria de acontecer, estávamos sem bateria. Segundo as indicações dos marcos da borda da estrada faltavam uns 5 km para chegar ao destino, Bac Ha.
Com umas horitas a empurrar a moto chegaríamos lá, pensávamos inocentemente. Durante a tortuosa experiência o destino parecia cada vez mais díficil de alcançar, e o dia começava a chegar ao fim.
Entretanto, cruzando com muitas crianças e alguns adultos que tentavam ajudar ou perceber o problema, parávamos para descansar. Continuamos e já atravessando uma aldeia, desta etnia, fomos sendo acompanhados por curiosos e curiosas até sermos abordados por um rapaz, num estado de embriaguez a tocar o coma mas que ainda o permitia falar e perguntar-nos para onde íamos (com o único inglês que falou) e quase que nos proíbiu de continuar e a obrigar-nos a ficar em sua casa… Preferi passar uma bela noite de humidade e frio sobre pedras massajantes.
Num outro momento de descanso depois de uma subida voltamos a ser inquiridos, desta feita, duas mulheres, uma mais nova e a outra mais velha, que ao perceber qual a varia e qual o destino, convidaram-nos a dormir em sua casa, para que assim, na manhã seguinte pudessemos ir à oficina da aldeia, que já estava encerrada, e continuar viagem. Só faltavam os tais 5 km para Bac Ha mas a luz do sol estava quase a desaparecer e não sabíamos muito bem onde nos íamos meter, e à parte, era um sonho realizado. (e foi muito conveniente que nem eu nem o Cesc soubéssemos que a moto funcionaria em segunda numa descida)
Já tinhamos sido convidados por vietmanitas para dormir nas suas casas de madeira, bambu e barro mas nunca tinhamos podido aceitar porque haviam metas a cumprir, os dias estavam contados.
Agora era o momento ideal para aceitar este convite desta mãe e filha. Foi o mais inteligente que fizemos já que afinal os 5 km estenderam-se para 40 num caminho que desfez a minha noção de estrada turtuosa e díficil, era muito pior. Os tais marcos da berma da estrada indicavam o início do distrito e não da cidade.
No meio de tudo isto, fui atacada por uma diarreia de ir ao mato de 5 em 5 minutos.
Foi duro percorrê-lo, física e emocionalmente, até porque já nos tinhamos perdido e caído noutra ocasião e o trauma estava presente, a dúvida a onde nos levava o caminho e o medo de cair que nem a nossa querida moto-cross Honda acalmou.
Às raras pessoas que encontravamos perguntei se estaríamos no caminho correcto (por gestos e sons) e quase todos se riam ou não respondiam.
No meio de tudo isto, tinha sido atacada por uma diarreia de ir ao mato de 5 em 5 minutos, e a alimentação praticada e oferecida pelos meus amigos Li, também não ajudou nada.
Quando chegamos a Bac Ha levamos com uma bofetada: toneladas de turistas a fotografar as senhoras Hmong que vendiam carteiras, tendas e tendas de produtos ‘étnicos’.

Desconhecia este tipo de choque, o choque perante o turismo fácil.

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